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Às vésperas do Dia Nacional do Circo, membros do GAE - Grupo Anti-Especismo, de Florianópolis, foram agredidos por um funcionário do "Le Cirque" quando promoviam manifestação pacífica, distribuindo panfletos e exibindo faixas contra a exibição de animais em circos. As agressões ocorreram na noite do último sábado, 25/03.

Vejam abaixo depoimento de Luciano Cunha, um dos militantes do GAE. O agressor foi fotografado. O circo está instalado ao lado do Shopping Itaguaçu. Protetores de animais planejam novos protestos, agora também contra a violência contra os ambientalistas.

O fato reforça a tese de que a violência contra animais, inerentes ao adestramento dos bichos silvestres e exóticos, tem conexão direta com a violência contra humanos.

Instituto É O BICHO! - Educação Ambiental e Proteção Animal
Florianópolis/SC

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Carta do GAE

Sobre a agressão dos funcionários do Le Cirque a membros do nosso grupo.

Nós do GAE (Grupo Anti-Especismo de Florianópolis), como havíamos divulgado na carta anterior, nos dirigimos ao local onde estava instalado o Le Cirque em São José - SC, pouco antes das 19:00 do dia 25 de março de 2006 para realizar nosso protesto pacífico de panfletagem e amostra de faixas. Estávamos então em nove pessoas.

Nos instalamos na esquina da rua onde está instalado o Le Cirque (Rua Domingos André Zanini) com a rua Gerôncio Thives e nos dividimos em dois grupos: Um num semáforo e outro em outro. Quando os semáforos fechavam, caminhávamos até a faixa branca e mostrando nossas faixas e entregando os panfletos. As duas faixas diziam: "Circo com animal não é legal" e "Circo sem animal = diversão sem agressão". Em nenhum momento, nem nas faixas, nem nos panfletos, mencionamos o nome Le Cirque.

Entregamos panfletos para as pessoas que paravam com seus carros no semáforo e que passavam na calçada. Esta esquina estava entre 50 e 100 metros da entrada do Le Cirque.

Não estávamos contra o circo, e sim lutando pela liberdade dos animais.

A panfletagem correu assim durante uns vinte minutos.

Em determinado momento, vi que algum representante do circo estava conversando com dois de nossos membros. Fui lá perto averiguar e a conversa estava totalmente tranqüila. O representante do circo alegava que os animais são registrados e que na opinião dele não é errado utilizar animais, mas sim que deveria haver uma regulamentação, etc. O mesmo argumento de sempre. Cheguei perto e comentei: "Tudo bem então de nossa manifestação, ok?" ao qual ele respondeu: "Claro, é direito de vocês. Agora, perguntem ao público depois se gostaram e vocês vão ver. Só por favor não panfletem aqui na entrada". Eu respondi que estávamos panfletando na esquina.

Porém, isso é irrelevante porque a constituição garante liberdade de expressão em via pública, seja em qual distância for de determinado estabelecimento.

Panfletamos mais uns 40 minutos deste mesmo modo. Nesse momento já haviam chegado mais duas pessoas do nosso grupo. Estávamos então em 11 pessoas. Neste momento eu estava na rua Gerôncio Thives, quando vi um tumulto vindo da esquina que separa o Le Cirque e a Gerôncio Thives. Um homem, com  as seguintes características físicas: pardo, estatura mediana, gordo, cabelo curto/crespo e de cor escura, olhos escuros e aparentava ter cerca de 50 anos. Trajava: camiseta e calça preta. Veio acompanhado de mais dois, vestidos da mesma maneira.

Não sabemos qual função eles ocupavam no circo, seja de segurança, gerência, proprietários, etc. Mas temos certeza que trabalhavam no circo.

Este homem, descrito acima, batia no rosto de Andréia, do nosso grupo. Andréia descreve a situação da seguinte maneira: "Estava panfletando nos últimos carros parados no semáforo, que estava já perto da entrada do circo. Estava sozinha quando de repente olhei pra trás e vi os três vindo em minha direção, vermelhos e com cara de raiva, então ele pegou, não falou nada, simplesmente arrancou os panfletos da minha mão e jogou no chão. Indignada com a atitude, me agachei e juntei, sem falar nenhuma palavra, levantei com os panfletos na mão e perguntei se ele estava louco. Ele falou: "Louco?" e me deu um tapa no rosto. Comecei a gritar, chamei pela polícia e nisso Pedro (do nosso grupo) veio em minha direção e começou a agredir o Pedro com um soco no rosto, e tentou dar outros vários socos, os quais o Pedro conseguiu desviar. Em nenhum momento Pedro reagiu, apenas pedia: Paz".

O agressor, descontrolado, além de tentar sair distribuindo tapas em qualquer pessoa que parasse na sua frente, berrava palavras como: "Maconheiro! Vai cheirar cocaína! Filho da Puta! Vagabunda!". Andréia menciou que o grupo sabia das leis que os protegiam, porém a resposta que ela obteve foi: "Minha prima é delegada! Grandes merda!".

Enquanto isso, André, também do nosso grupo tirou uma foto do agressor, este então se pôs a prontamente correr atrás para extraviar a câmera, mas André foi mais rápido.

Enfurecido, o agressor atravessou a calçada e veio pra cima de nós, mas não conseguiu agredir mais ninguém. Neste momento a rua estava cheia, e pessoas de todos os cantos vinham para saber o que estava acontecendo. O agressor, enraivecido tentava vir para cima de Andréia e Pedro novamente. O agressor perguntava: "Quem é o responsável por isso?".  Eu estava próximo falava para o agressor: "Amigo, ninguém está aqui para agredir ninguém! Já acabou! Calma!". Falei ao outro funcionário do circo que veio junto para segurar o agressor. Este prontamente me respondeu: "Ah, mas também.... o que vocês fizeram...." . Como se panfletar em via pública fosse crime e maltratar animais não.

Depois do ocorrido, Andréia e Pedro foram até a delegacia mais próxima registrar um B.O. enquanto nós chamamos a polícia no local. Infelizmente, quando a polícia chegou, todos já haviam se dispersado, e a rua ficou até vazia pela chuva que tinha começado. Conversamos
com os policiais e eles nos disseram que o melhor a fazer era anexar a foto que tiramos do agressor no B.O. e acompanharmos o andamento do processo.

Segunda feira, Pedro irá fazer exame de corpo delito. "Infelizmente", Andréia não ficou com nenhuma marca no corpo.

É lamentável, espantosa e indignante, essa atitude do Le Cirque, primeiro por mandar um funcionário espancar pessoas que estavam panfletando numa via pública, depois, por fazer isso sem ter acontecido nenhum "bate-boca". Simplesmente, no meio da panfletagem, olhamos para aquela pessoa enraivecida vindo correndo agredindo os que se colocavam no caminho dele.

O que podemos esperar de tratamento para os animais, destas mesmas pessoas que espancam mulheres nas ruas?

Luciano Carlos Cunha - GAE floripa

Chegará o dia em que o restante da criação vai adquirir aqueles direitos que nunca poderiam ter sido tirados deles senão pela mão da tirania. Jeremy Bentham (filósofo)

A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável. (Mahatma Gandhi)
vocês podem torturar-me, ferir-me,machucar meu corpo, mas jamais podem aprisionar minha mente(Mahatma Gandhi)

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Contatos GAE:
Franklin Percicotte - frankpercicotte@hotmail.com 
Luciano Carlos Cunha - lucianoshred@gmail.com
Pedro S. Teixeira - ordepdarc@yahoo.com.br



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